
a. ESCRIBAS
No Novo testamento tem ele o nome de “grammateis” (grammateuj – Mt 8:19), ou mais exatamente “nomikoi” (nomiko,j - Lc 10:25), doutores da Lei, e “nomodidaskaloi” (nomodisdakaloi – Lc 5:17), que ensina leis.
Na Bíblia encontramos os escribas redigindo as ordens e mandados reais (II Sm 8:17; II Re 2:11), alistando homens para a guerra (II Re 25:19; Jr 52:25) e sendo considerado como um perito no Livro Santo (I Cr 27:32; Ed 7:6,11,12,21).
No princípio, copiar a Lei e interpretá-la era função específica do sacerdote. Com o passar do tempo, afunção se desdobra, entretanto, Esdras era sacerdote e escriba (Ne 8:9).
O escriba como nós o vemos no N.T. apareceu após o exílio babilônico. E por pressão de Antíoco Epifanes, se uniram e se tornaram um bloco político ao lado dos fariseus. Em toda a terra de Israel havia escribas (Lc 5:17), na Babilônia durante o exílio e até em Roma.
Durante o cativeiro babilônico, o judeu recorreu à religião para preservar sua integridade nacional. E por isso, centralizou tudo na Lei. Dedicaram-se a copiá-la e vieram a ser peritos na Lei, doutores da Lei, intérpretes da Lei. Estes comentários foram os alicerces da Misnah, o Talmude.
A profissão de escriba recebeu grande impulso depois que os judeus voltaram do cativeiro , quando havia cessado a profecia, restando apenas o estudo das escrituras para servir de alicerce à vida nacional.
Os escribas deram origem às sinagogas e alguns figuravam como membros do sinédrio (Mt 16:21 e 26:3). Alguns, também pertenciam a seita dos saduceus; contudo, a maior parte se alinhava com os fariseus. Entre os escribas alguns se converteram (Mt 8:19).
Os escribas tinham algumas funções, a saber:
a. Preservar a Lei escrita, especialmente no período helenístico (grego), quando o sacerdócio se pervertera;
b. Eram mestres da Lei;
c. Faziam conferências no templo (Lc 2:46; Jo 18:20);
d. Eram “doutores da Lei” e cabia-lhes a responsabilidade de administrar a Lei como juízes do sinédrio (Mt 22:35; Mc 14:43,53; Lc 22:62-71).
e. Estudavam e interpretavam a Lei, tanto civil (Jo 8:1-9) quanto religiosa (Mc 7:3) e os pormenores de sua aplicação na vida prática. As decisões dos grandes escribas constituíam a Lei oral, ou tradição.
f. Dedicavam-se ao estudo das escrituras em geral, sobre assuntos históricos e doutrinas.
g. Ocupavam as cadeiras de ensino que ministravam a um grupo de discípulos.
No tempo de Cristo exerciam grande influência entre o povo. Muitos deles faziam parte do Sinédrio (Mt 16:21; Mt 26:3). Ainda que alguns deles aceitavam os ensinos de Cristo (Mt 8:19), a maior parte os desprezava. Sempre murmuravam quando pensavam descobrir alguma falta na vida e proceder dos discípulos (Mt 21:15) e tomaram parte bem ativa na condenação de Jesus. Associaram-se aos principais e anciãos na perseguição contra Pedro e João (At 4:5 etc) e em tudo que se relacionava com a morte de Estevão (At 6:12). Quando se agitou as questão sobre a questão da ressurreição dos mortos, eles se aliaram, aos fariseus a favor de Paulo (At 23:9).
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b. FARISEUS
O nome fariseu vem do adjetivo aramaico que significa “separado”, “segregado”. Esse nome lhes fora dado pelos inimigos, em virtude do fariseu viver separado do povo temendo a imundícia. Contudo eles mesmos gostavam de chamar-se “haberim”=companheiros, ou “qedoshim”=santos.
As principais doutrinas dos fariseus eram:
a. O livre arbítrio do homem;
b. A alma é imortal;
c. Acreditavam na ressurreição do corpo (At 23:8);
d. Aceitavam a existência dos anjos (At 23:8);
e. Todas as coisas são dirigidas pela providência de Deus;
f. Os justos serão galardoados e os ímpios serão castigados;
g. Os maus serão presos em cadeias eternas, enquanto os justos gozarão a vida eterna.
h. Além da alma, existem outros espíritos: bons e maus
Por fim, não nos esqueçamos que nem todos os fariseus eram contra Cristo. Nicodemos é um exemplo de que certos fariseus tinham por Cristo uma grande admiração (Jo 3).
Era prática comum entre os fariseus o uso dos filactérios, uma tira em que se escrevia curtas sentenças do livro da lei de Moisés, usadas na fronte ou nos braços (Mt 23:5).
Em geral, os filactérios tinham a forma de uma caixinha de pequenas dimensões, feita de pergaminho, ou de pele de foca. O filactério usado na fronte continha quatro compartimentos, em cada um dos quais se colocava uma tira de pergaminho com uma passagem da Escritura. As quarto passagens era: Ex 13:2-10; Ex 13:11-17; Dt 6:4-9; Dt 11:13-21.
O filactério prendia-se à fronte, bem como no centro e sobre os olhos, por meio de ataduras. A outras caixa para o braço, continha um só compartimento, com uma tira contendo as quatro passagens já citadas. As primeiras três, serviam para regular o proceder. Todos os judeus traziam os filactérios durante as horas matinais de oração, exceto nos dias de sábado e nas festas. Estes dias, já em si possuíam elementos que dispensavam o uso dos filactérios (Ex 13:9).
c. SADUCEUS
Era o nome dado a um partido oposto /á seita dos fariseus. Compunha-se de um número comparativamente reduzido de homens educados, ricos e de boa posição social.
Compondo-se este partido de elementos de alta aristocracia sacerdotal, crê-se geralmente de o nome Zadoque se refere ao sacerdote de igual nome que oficiava no reinado de Davi, e em cuja família se perpetuou a linha sacerdotal até a confusão política na época dos Macabeus. Os descendentes de Zadoque tinham o nome de zadoquitas ou saduceus.
Em oposição aos fariseus, enérgicos defensores das tradições dos antigos, os saduceus limitavam o seu credo às doutrinas que encontravam no texto sagrado.
Os aspectos mais importantes de sua linha doutrinária, que chocam com o ritualismo dos fariseus, podemos resumir nos seguintes pontos:
a. Aceitavam somente a Lei escrita e rejeitavam os preceitos orais e tradicionais dos fariseus.
b. Defendiam o direito do juízo privado da interpretação da lei.
c. Negavam a providência divina;
d. Negavam tanto a recompensa como o castigo após a morte;
e. Para a eles a alma não existia,com a destruição do corpo, tudo estava terminado (Mt 22:23-33).
f. Não aceitavam a ressurreição (At 23:8; 22:23-33);
g. Interpretavam o V.T. lendo ao pé da letra, por causa de sua posição relativa à lei oral;
h. Não criam na existência de anjos, nem bons e nem maus (At 23:8);
i. Não acreditavam na existência do céu , nem do inferno;
j. Não aceitavam a existência do Diabo;
k. Negavam o fatalismo em defesa da liberdade do homem em definir seu destino
l. Negam que Deus interferia na vida dos homens
Negando a existência da alma e dos espíritos,. Os saduceus entravam em conflito com a angiologia do judaísmo elaborada no seu tempo, e ainda iam ao outro extremo; não se submetiam ao ensino da lei (Ex 3:2; Ex 14:19).
Quanto á origem e desenvolvimento dos saduceus, Schurer é de parecer que a casa de Zadoque, que estava à frente dos negócios da Judéia no quarto e terceiro século a.C. (sob o domínio persa e grego), começou a colocar a política acima das considerações religiosas. No tempo de Esdras e Neemias a família do sumo sacerdote era mundana e inclinada a consentir na junção dos judeus com os gentios. No tempo de Antíoco Epifânes, grande número de sacerdotes amava a cultura grega (II Mc 4). Entre eles estavam os sumo-sacerdotes Jasom, Menelau e Alcimus. O povo postou-se ao lado dos macabeus para defender a pureza da religião de Israel. Quando este partido triunfou, os macabeus tomaram conta do sacerdócio e obrigaram os zadoquitas a se retirarem para as fileiras da política, onde continuaram a desprezar os costumes e as tradições dos antigos e a favorecer a cultuar e a civilização grega.
Na época dos romanos, o sacerdócio volta aos saduceus e estes adquirem grande influencia política (At 5:17).
Os saduceus e fariseus que iam ao encontro de João Batista foram por ele denominados de de "raça de víboras” (Mt 3:7). Unidos aos fariseus, pediram a Jesus que lhes fizessem ver algum prodígio do céu (Mt 16). Contra essas duas seitas, Jesus alertou a seus discípulos.
Foram os saduceus que proporam a Jesus o problema a respeito da ressurreição (Mt 22:23-33). Ligaram-se com os sacerdotes e com o magistrado do templo para perseguirem a Pedro e a João (At 4:1-22).
Tanto os saduceus como os fariseus achavam-se no sinédrio, quando acusavam a Paulo, que, aproveitando-se das suas divergências de doutrina, habilmente os atirou uns contra os outros (At 23:6-10).
d. OS ESSÊNIOS
Provavelmente os essênios nasceram dos assideus do período Macabeu. Eram homens retos que, precionados pela perseguição helenista refugiaram-se no deserto. Suas doutrina eram:
a. Consideravam-se servos de Deus e não imolavam animais;
b. Viviam em aldeias e longe da contaminação dos grandes centros;
c. Não se preocupavam em ajuntar tesouros;
d. Não fabricavam armas e não as usavam;
e. Não se interessavam pelo comércio;
f. Todos eram livres;
g. eram monoteístas convictos;
h. acreditavam em anjos;
i. aceitam a ressurreição e a vida pós túmulo;

